O Conselho de Ministros aprovou ontem a proposta de lei que permitirá a realização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Iniciativa louvável que cumpre uma promessa eleitoral do Partido Socialista no sentido da não discriminação dos homossexuais no direito ao casamento civil.
Mas ao inscrever na lei a interdição da adopção por estes casais, continua a manter uma discriminação e hipocrisia inexplicáveis. Tanto mais que a actual lei da adopção prevê que ela seja feita por um só indivíduo, mulher ou homem, que poderá viver maritalmente com quem muito bem entender. No alegado “superior interesse das crianças” proclamado pelos hipócritas guardiões do templo dos bons costumes é preferível mantê-las em instituições do que serem adoptadas por dois pais ou duas mães que lhes proporcionem aquilo de que necessitam – uma família com amor, carinho, bons cuidados e educação.
Uma lufada de ar saudável neste país com uma justiça tantas vezes injusta e absurda: uma juíza de Oliveira de Azeméis decidiu entregar a tutela de duas meninas, de 5 e 8 anos, a um tio que vive com outro homem por considerar que teriam melhores condições para cuidar delas do que os pais. Parabéns a esta juíza que fez valer o verdadeiro interesse das crianças contra o preconceito.
O Governo ainda vai a tempo de seguir o bom exemplo.











