A pouco mais de um ano das próximas eleições presidenciais, é já possível ter algumas certezas embora permaneçam no ar outras tantas dúvidas.
Comecemos pelas primeiras:
1. O actual presidente vai candidatar-se a um segundo mandato.
Não se trata apenas de uma questão de carácter pessoal (o seu "orgulho" e a vontade que o caracteriza não "ficariam bem" se passasse à história como o primeiro presidente da democracia que não cumpriu dois mandatos seguidos...), mas sobretudo da direita ainda precisar dele como fonte de um certo estilo de poder político (autoritarismo) e, ao mesmo tempo, expressão de uma certa coesão ideológica (conservadorismo e "bons costumes" sociais). Nos tempos que correm (crises provocadas pelos vários "excesssos" capitalistas), autoritarismo, assistencialismo e conservadorismo aparecem como "valores seguros" no investimento partidário ao nível presidencial.
2. Decorre do primeiro ponto que não surgirão, à direita, outros candidatos fortes. A convergência eleitoral à direita será, por isso, absoluta. O "nosso capitalismo" e os nossos capitalistas ainda não querem um Berlusconi (embora a crise financeira seja o caldo ideal para o aparecimento fulgurante de oportunistas) e o nosso povo religioso ainda não está "preparado" para um Sarkozi. Os potenciais candidatos "da moda" não correrão riscos porque a reeleição do actual presidente significará ganhar aí tudo o que possam "ter perdido na assembleia e na rua" durante dois anos.
3. Mas , não havendo outros candidatos fortes à direita, haverá concerteza temas fortes.
Daqui a um ano estaremos perante a habitual discussão de um novo orçamento de estado, mas agora mais limitado pelas regras europeias de combate aos vários desequilíbrios. Até lá, o "país político" girará em torno de um debate mais "radical" e mais "crispado"(à direita e à esquerda) sobre o desemprego, os impostos e as taxas de juro, as falências e deslocalizações, a justiça, a educação, a ecologia e a "moral e bons costumes". Perante esses temas, os candidatos oficialmente anunciados vão ser obrigados a pronunciar-se todos os dias: Que alternativas têm? Que mudanças propõem? Que posição tomaram no tempo próprio? Vão apoiar e "aguentar" o governo na aplicação das receitas comunitárias de combate ao déficite?
4. Mais do que em eleições anteriores, o que vai estar em jogo é a definição de modelos concretos de sociedade e de Estado que cada um dos candidatos vai defender. E, se só houver dois candidatos, é certo que serão chamados a definições bem distintas!
Mas, aqui começam as dúvidas, o que me dará pretexto para um próximo post sobre o assunto.










