Alberto João Jardim voltou a chantagear o Governo com a exigência da alteração da lei das Finanças regionais para aumentar a transferência de verbas para a Madeira e a capacidade de endividamento da região. O Governo da República, num auto de dramatização política, bateu o pé e opôs-se.

O assunto não passaria de mais um episódio da já longa história de diatribes do Presidente do Governo Regional se não acontecesse em cenário de discussão do Orçamento do Estado e da chantagem da oposição para a sua aprovação. A lei acabou por ser aprovada hoje com os votos de todos os partidos da oposição. Isto depois da discussão e votação ontem de uma proposta, aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa da madeira, que dos iniciais 800 milhões de euros exigidos se contenta agora com a transferência de 50 milhões. A verdadeira questão não é o montante das verbas para a Madeira. É antes uma questão de princípio, que deve recusar uma gestão despesista que contrasta com a do Governo dos Açores que, com nove ilhas e uma população superior à da Madeira, e tendo uma dotação do Estado que não chega ao dobro das verbas, tem conseguido desenvolver a região sem necessidade de maior endividamento.
A verdade é que ninguém fica bem neste retrato. O Governo fez birra e fincou-se num braço de ferro chegando mesmo a ameaçar com a demissão. O PSD, que faz deste caso moeda de troca para viabilizar o OE, revela falta de sentido de Estado e oportunismo político. Também não se compreende a posição do BE e do PCP que recorrentemente vociferam contra o despesismo e o regabofe financeiro da Madeira, mas agora se juntam para o caucionar.
Lamentável foi a posição dos deputados socialistas madeirenses que alegando o “interesse regional” contribuíram para a aprovação da proposta. Já era tempo do PS Madeira ter uma posição firme e corajosa na defesa do interesse nacional, que inclui o dos madeirenses, e assim deixasse de embarcar nesta subserviência aos dislates financeiros do Alberto João. É por estas e outras que ele continua a ter votações albanesas que o perpetuam no poder.










