Como apoiante de Manuel Alegre, e deveria acrescentar como otimista, estou duplamente satisfeito por o PS ainda não manifestado o seu apoio e por Fernando Nobre ter anunciado ser candidato à Presidência da República.
A atual indecisão do PS é muito positiva para Manuel Alegre. A candidatura de Alegre quer-se suprapartidária. Com os apoios já manifestados, só o anúncio do apoio formal do PS poderia fazer pairar alguma sombra sobre o desígnio do suprapartidarismo. Entretanto é natural que muitos daqueles que, manifestando algumas reservas à candidatura de Alegre, mas que admitem apoiá-lo não sendo a sua candidatura partidária, ou muitos dos crónicos indecisos, se aproximem do candidato. Possibilidade que, convenhamos, seria tanto mais difícil quanto o PS manifestasse formalmente um apoio extemporâneo. Com o passar do tempo e com o aparecimento de candidaturas de que o PS quererá, desde cedo, demarcar-se (o que não pode fazer com a candidatura de Manuel Alegre), restará pouca margem ao PS para não declarar formalmente o seu apoio. Pelo caminho, muitos militantes do PS se irão juntando a Alegre (como se viu no jantar de 19 de Fevereiro, em Coimbra, e como já se tinha visto nas últimas eleições presidenciais). Outros, fiéis à posição oficial do partido, só no momento exato se mostrarão. E mesmo aqueles que, sendo do PS, tenham algo que não perdoam a Alegre ficarão sem outra escolha que não seja, apoiar Alegre ou, de algum modo, abster-se, apoiando, dessa forma, Cavaco ou o candidato da direita. Pelo caminho que nos levará até às eleições gostaria também que o meu otimismo me fizesse acreditar que o PCP vai ser capaz de se juntar a uma candidatura de esquerda. Mas, com o PCP, o meu otimismo tem limites.
Ao contrário de muitas opiniões dou uma importância relativa à candidatura de Fernando Nobre. Em rigor, sem o apoio do qualquer partido com assento parlamentar, Fernando Nobre parte de um limiar de expetativa de votos abaixo do que Soares alcançou nas últimas eleições. Desejo que Fernando Nobre leve a sua candidatura até ao fim por duas razões essenciais. Em teoria, aumentará a taxa de participação nas eleições e isso reforça a perspetiva de uma segunda volta. Por outro lado, considero que os próximos tempos mostrarão que fernando Nobre, com a rede de contatos que estabeleceu enquanto Presidente da AMI, é capaz de captar mais votos na área do centro direita que na área do centro esquerda, o que, em teoria, levará a que tire mais votos a Cavaco que a Alegre.










